“I just had to take the hypertext idea and connect it to the TCP and DNS ideas and — ta-da”
Tim Berners-Lee
Redes de computadores são conjuntos de dispositivos interconectados com o objetivo de trocar informações e compartilhar recursos. Esses dispositivos podem se comunicar por meios com fio ou sem fio, em escalas locais, metropolitanas ou globais.
As redes surgiram da necessidade de interligar computadores e compartilhar dados de forma mais eficiente. Inicialmente impulsionadas por projetos militares e acadêmicos, evoluíram até a Internet, que pode ser entendida como uma interconexão mundial de redes baseadas em protocolos comuns.
Sem redes de computadores, a troca de dados dependeria de mídias físicas e de processos manuais muito menos eficientes. Além disso, recursos como impressoras, servidores, bancos de dados e acesso à Internet precisariam ser replicados ou acessados de maneira isolada em cada máquina. A rede permite centralizar serviços, reduzir custos e facilitar a comunicação entre usuários e sistemas.
A internet que utilizamos hoje em dia, ou a rede global de computadores, é resultado das pesquisas financiadas pela Agência de Defesa americana, DARPA, cujo projeto ARPANET, de 1969, construiu as bases para interligar diversos departamentos de pesquisa nos EUA.
A revolução da internet não foi apenas pela velocidade de comunicação e pesquisa, mas também pela facilidade no acesso ao conhecimento, compras, processamento de transações bancárias, coordenação de atividades, monitoria de eventos, processamento distribuído, etc.
24.1 - Tipos de Enlace, Códigos, Modos e Meios de Transmissão.As redes podem ser classificadas inicialmente por sua abrangência, sendo os grupos mais comuns:
Também há a VLAN (Virtual Local Area Network), que permite segmentar logicamente uma rede local em domínios separados de broadcast, mesmo quando os dispositivos compartilham a mesma infraestrutura física.
Há duas categorias básicas de meios de transmissão: guiados e não guiados. Nos meios guiados, o sinal trafega por um suporte físico, como cabos de cobre ou fibra óptica. Nos meios não guiados, a propagação ocorre por ondas eletromagnéticas no espaço, como em Wi-Fi, Bluetooth e enlaces de rádio. A escolha do meio influencia alcance, taxa de transmissão, suscetibilidade a ruído e custo de implantação.
Cabos possuem propriedades elétricas e físicas que influenciam seu desempenho, como resistência, capacitância, indutância, blindagem e atenuação. Entre os tipos mais comuns estão:
Os modelos comuns de par trançado são os de 4 e 25 pares. O parâmetro AWG do cabo tem correlação inversa com o diâmetro do cabo. Outra técnica importante é de blindar os cabos. Algumas são as classificações de blindagem:
Os conectores principais são o RJ-45 e RJ-11, onde RJ quer dizer Registered Jack.
A largura de banda se refere a capacidade de transmissão de informação pelo cabo. Podemos dividí-la em categorias, de 1 até 7, medidas em Hz (variações por segundo).
Entre os principais mecanismos de acesso ao meio, podemos destacar:
As redes também podem ser classificadas pelo tipo de comutação, isto é, pela forma como os dados são encaminhados entre origem e destino. Na comutação de circuitos, estabelece-se previamente um caminho dedicado para a comunicação durante toda a sessão. Na comutação de pacotes, os dados são divididos em pacotes independentes, que podem atravessar a rede de forma dinâmica, eventualmente por caminhos diferentes, antes de serem reorganizados no destino.
Os principais modos de transmissão em redes de computadores são:
A escolha do modo de transmissão depende dos requisitos específicos do sistema de comunicação. Por exemplo, o modo simplex pode ser usado em situações em que o receptor precisa apenas receber dados, como em uma transmissão de televisão. O modo half-duplex pode ser usado em situações em que dois dispositivos precisam se comunicar, mas espera-se que apenas um dispositivo transmita por vez, como em um sistema de rádio walkie-talkie. O modo full-duplex é comumente usado na maioria das redes de computadores para permitir uma comunicação bidirecional eficiente entre os dispositivos.
Um protocolo é um conjunto de regras e convenções que define como os dispositivos se comunicam em uma rede. Ele especifica formato, ordem, temporização e interpretação das mensagens. Protocolos aparecem em diferentes camadas da pilha de rede, como enlace, rede, transporte e aplicação. Alguns exemplos importantes são IP, TCP, UDP, FTP, SMTP, SNMP e HTTP.
O protocolo FTP (File Transfer Protocol) é utilizado para transferir arquivos entre computadores através da rede. Utiliza duas conexões, uma para controle e outra para transferência.
O protocolo SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) é utilizado para envio de correio eletrônico entre servidores e clientes de e-mail. Para recebimento de mensagens, são comuns os protocolos IMAP e POP3, cada um com características próprias de armazenamento e sincronização.
O SNMP (Simple Network Management Protocol) é utilizado para coletar e organizar informações sobre dispositivos em redes IP e, em alguns casos, alterar parâmetros de operação. Equipamentos como modems, roteadores, switches, servidores e impressoras podem expor dados de gerenciamento por esse protocolo. Essas informações são organizadas em estruturas chamadas MIBs (Management Information Bases).
O IPSec é um conjunto de protocolos de segurança para a camada IP. Ele pode fornecer autenticação, integridade e confidencialidade para os pacotes transmitidos, sendo muito usado em VPNs. Seus modos principais são transporte e túnel. A negociação de associações de segurança e chaves costuma ser feita por protocolos como IKE.
O Protocolo ARP (Address Resolution Protocol) é uma peça fundamental no funcionamento das redes de computadores, permitindo a comunicação eficiente entre dispositivos em uma mesma rede. Ele é responsável por resolver o problema de tradução entre endereços IP (Internet Protocol) e endereços MAC (Media Access Control), que são usados em diferentes camadas do modelo de referência OSI.
Quando um dispositivo precisa enviar dados para outro dispositivo em uma rede, ele usa o endereço IP do destino. No entanto, os dispositivos utilizam os endereços MAC para a comunicação direta dentro da mesma rede. O ARP entra em cena para traduzir o endereço IP em um endereço MAC correspondente, possibilitando a entrega adequada dos pacotes.
O processo de resolução ARP envolve dois tipos principais de mensagens:
ARP Request (Solicitação ARP): Quando um dispositivo precisa encontrar o endereço MAC correspondente a um determinado endereço IP, ele envia uma mensagem ARP Request para toda a rede. Essa mensagem contém o endereço IP que o dispositivo deseja alcançar.
ARP Reply (Resposta ARP): O dispositivo com o endereço IP solicitado responde com uma mensagem ARP Reply, que contém seu endereço MAC correspondente. Isso permite que o dispositivo que fez a solicitação saiba como alcançar o destino.
O Protocolo ARP mantém uma tabela ARP (ou cache ARP) nos dispositivos, que armazena pares de endereços IP e MAC recentemente resolvidos. Isso ajuda a otimizar o processo, evitando a necessidade de repetidas resoluções ARP para os mesmos endereços.
Embora o ARP seja uma parte essencial das redes de computadores, ele também apresenta alguns desafios de segurança. Por exemplo, ataques de envenenamento ARP (ARP spoofing) podem ocorrer quando um dispositivo malicioso fornece informações ARP falsas, redirecionando o tráfego para o atacante. Isso pode resultar em interrupções na comunicação ou em ataques de "man-in-the-middle".
A topologia de uma rede se refere à forma como os computadores e equipamentos estão interligados. Entre os tipos mais comuns, podemos citar:
A arquitetura de rede pode ser organizada em camadas, cada uma com funções e protocolos específicos. Os modelos mais conhecidos são o OSI (Open Systems Interconnection), com sete camadas, e o modelo TCP/IP. O modelo OSI é composto por:
Um exemplo de frame, usando Ethernet, com cabeçalho e rodapé está abaixo:
Header:
Destination MAC address: 00:11:22:33:44:55
Source MAC address: 66:77:88:99:AA:BB
EtherType: 0x0800
Data:
4B 6F 64 65 20 52 75 6C 65 73
Trailer:
Frame Check Sequence (FCS): 0x7C 0xA5 0x19 0xB5
O Frame Check Sequence é utilizado para detectar erros. Usa um algoritmo tipo CRC (cyclic redundancy check), de 4-bytes, que é adicionado ao rodapé da mensagem.
Já a arquitetura TCP/IP consiste de 4 camadas:
Especificação de protocolo em redes de computadores refere-se ao processo de definição das regras e procedimentos que regem a comunicação entre dispositivos em uma rede. Uma especificação de protocolo geralmente define o formato dos pacotes de dados que são trocados entre os dispositivos, bem como os procedimentos para transmitir, receber e processar esses pacotes.
A especificação do protocolo também pode definir as funções e responsabilidades de diferentes dispositivos na rede, como roteadores, switches e servidores. Também pode definir a sequência de passos que devem ser seguidos para estabelecer e encerrar uma conexão entre dois dispositivos, bem como os procedimentos para detecção e correção de erros.
Um aspecto importante da especificação do protocolo é a interoperabilidade, que se refere à capacidade de diferentes dispositivos e sistemas trabalharem juntos sem problemas, independentemente das plataformas subjacentes de hardware e software. Para alcançar a interoperabilidade, os protocolos devem ser padronizados e implementados de forma consistente em diferentes dispositivos e sistemas.
As especificações de protocolo são normalmente definidas e mantidas por organizações de padronização, como a Organização Internacional de Padronização (ISO) e a Força-Tarefa de Engenharia da Internet (IETF). Essas organizações trabalham para garantir que os protocolos sejam robustos, confiáveis e seguros, e que sejam amplamente adotados e implementados pelo setor.
A Internet é uma rede mundial de redes interconectadas. Já a intranet é uma rede privada de uso interno, normalmente baseada nas mesmas tecnologias da Internet, mas com acesso restrito aos membros de uma organização. Um exemplo comum é a intranet corporativa usada para portais internos, documentos, sistemas administrativos e bases de conhecimento.
Um outro tipo, menos comum, é a extranet, que permite acesso remoto para pessoas na internet, mas que exige usuário e senha para acesso.
Permite que diferentes redes se comuniquem e troquem informações entre si. Elas podem ser classificadas em diferentes tipos:
A interconexão de redes pode oferecer muitos benefícios, incluindo comunicação aprimorada, maior acesso a recursos e colaboração aprimorada. No entanto, também apresenta riscos de segurança, como acesso não autorizado, violação de dados e infecções por malware, que devem ser cuidadosamente gerenciados e monitorados.
Internet de banda larga refere-se a conexões de alta capacidade, capazes de transmitir grandes volumes de dados em velocidades superiores às antigas conexões discadas. O termo está associado ao uso de faixas mais amplas de frequência ou de meios de alta capacidade para comunicação contínua e veloz. O acesso em banda larga pode ser fornecido por tecnologias como cabo, DSL, fibra óptica, redes móveis e satélite.
A Internet de banda larga oferece muitas vantagens em relação à Internet discada, incluindo velocidades de download e upload mais rápidas, conexões mais confiáveis e a capacidade de usar a Internet e as linhas telefônicas simultaneamente.
A velocidade de uma conexão de Internet de banda larga é normalmente medida em megabits por segundo (Mbps) ou gigabits por segundo (Gbps). Quanto maior a velocidade, mais rápida a conexão e mais dados podem ser transmitidos em um determinado período de tempo.
A Internet de banda larga pode ser fornecida por meio de várias tecnologias, cada uma com suas próprias vantagens e limitações:
Segurança e autenticação são componentes essenciais de redes de computadores que ajudam a proteger contra acesso não autorizado, violação de dados e outras ameaças à segurança. Podemos dividir os principais conceitos nos seguintes itens:
A segurança de rede eficaz requer uma combinação de controles técnicos, políticas e procedimentos, juntamente com monitoramento e treinamento contínuos para identificar e lidar com novas ameaças e vulnerabilidades à medida que surgem.
Uma forma comum de alterar a eficiência de redes com comutação de circuito é utilizar a técnica de multiplexação, onde um mesmo canal de comunicação é subdividido em subcanais de velocidades mais lentas para operações simultâneas. No caso da rede de comutação de pacotes, existe uma técnica para emular a comutação de circuitos, chamada circuito virtual. Os tipos de circuito virtuais são:
No primeiro caso, o circuito virtual é configurado de forma permanente. No segundo, ele é estabelecido sob demanda para a duração da comunicação entre os nós.
Quando as redes garantem a entrega dos dados, elas são chamadas de orientadas à conexão. Esse processo normalmente é feito em três etapas:
Esse processo é conhecido como handshake de três vias. Em protocolos sem conexão, como o UDP, os datagramas são enviados sem estabelecimento prévio de sessão e sem confirmação obrigatória de entrega pela própria camada de transporte.
Sistemas com comportamento temporal previsível podem ser descritos como mais determinísticos, enquanto redes sujeitas a variação significativa de atraso, congestionamento e perda apresentam comportamento menos previsível.
Existem várias métricas importantes que podem ser usadas para medir o desempenho de uma rede de computadores. Os principais são:
Referências: